19 de Novembro de 2008

RECORDAR ESTAS HORAS E MOMENTOS ,PARA ESTARMOS SEMPRE EM ALERTA



 

Agosto quente,muito quente mesmo.
Nos Povorais, estávamos na entrega dos troféus dos jogos. Quando o telefone avisa o Comandante do posto da G.N.R,que estava um forte fogo em Góis.
Não havia tempo a perder saímos todos ,numa correria,para as viaturas a caminho do Esporão.
Já estava a subir para Carvalhal-Miúdo,fomos para lá na esperança de ajudar-mos no que se podia em situações como estas.
Descemos ao fundo do lugar,mesmo, muito para baixo do lavadouro,mas qual quê,nada o detinha parecia o "demónio",nem as descargas das avionetas e dos hélis valiam de nada.
Já todos encharcados com o produto vindo do ar,o Sr. João Simões que se encontrava lá,gritava vamos sair daqui ,que ele está a dar a volta, é perigoso.
Junto das casas ia-se limpando as silvas e demais ervas já secas e o que se podia ,mas apesar dos esforços aquele raio não poupo ainda algumas casas.
Voltei para o Esporão, fui para o fundo do lugar mais a prima Anália Adão e salvo erro também a D. Maria Barata,e começamos a raspar toda aquela erva já seca amarelada,que dizem ser um verdadeiro rastilho e que o malvado passa por elas que ninguém o vê.
Mas não tardou que ele se aproximá-se da nossa aldeia,já estava no Vale-Velho, Valongo,e lá por baixo já vinha na estrada que liga a Carvalhal-Miúdo.
Na Boleirinha os mais idosos afligem-se, as crianças gritam ,que seriam levadas para a Ribeira para melhor segurança,é uma correria tiram-se as bilhas de gás para fora de casa,vão-se por na água,molha-se os terrenos circundantes das casas,telhados,etc.
Avistou-se já nas Sobreiras, ouve-se exclamações diversas,como"este raio vem por aqui acima e ninguém o segura".
Vem gente da Ribeira para dar uma ajuda,a tia Celeste que determinada não pára, assim como todos os demais, sente-se a força humana a unidade de todos ,pois o inimigo era comum a todos e não se podia dar-lhe tréguas.O calor era infernal,nuvens de fumo e poeiras de cinzas,sufocam as nossas gargantas.
Os homens da Paz são incansáveis,a estrada da Boleirinha tinha que ser um tampão,fazem-se contra fogos,controla-se por ali as chamas com um esforço tenaz,para proteger as casas da aldeia.

Há pessoas do fundo do lugar que tem que sair de suas casas por precaução,pois temia-se o pior,aquelas labaredas tão altas mesmo no barroco,viessem por ali acima e entrassem nas casas.
Mas não é, que se ouve um forte estrondo lá no barroco,como que ele se tivesse afogado ali
mesmo.Mas não infelizmente, aquele "grande estupor"dá a volta e passa por baixo, continua a sua marcha destruidora,pelas propriedades dos nossos conterrâneos,subindo á Cerdeira,aonde se iria verificar a maior tragédia,a perda de uma vida humana o Arlindo.
Nunca na minha vida tinha visto coisa assim,as imagens não chegam para ilustrar o triste acontecimento,pois o horror e o pânico estampados nos rostos das nossas gentes,escaparam á óbjectiva.Pois na verdade não estava ali,para fazer fotos, mas sim ser um elo daquela que foi a grande unidade e solidariedade demonstrada por todos aqueles que viveram este dia e horas de tão grande aflição.

Mas como disse um dia uma grande senhora do nosso teatro nacional D.Palmira Bastos
"AS ÁRVORES MORREM DE PÉ"



Estas imagens a preto e branco foram obtidas no Loureiro,um ano depois.
 

 

 

 

 do blog

                Sobreiras lugar velho do Esporão

 

publicado por Texugo às 19:08

Também em tempos passei por situações dessas algures por esses lados. Um incêndio dessas proporções é uma coisa pavorosa, que só visto.
A nossa zona é uma área martirizada quase todos os anos.

Tudo de bom
21 de Novembro de 2008 às 20:28

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